NOTÍCIA
Filhote de onça parda tem corpo queimado
[02/06/2009]Autorizado pelo Governo, fogo em canaviais coloca espécies de animais em risco. Sempre que a queimada é realizada, inúmeros animais são queimados vivos, tudo por conta do lucro.

Filhote de onça parda tem corpo queimado
 Animal foi atingido pelo fogo em canavial e foi recolhido por uma Associação de Proteção aos Animais de Assis.
 Assis - Um filhote de onça parda de aproximadamente 40 dias pesando cerca de 2,5 quilos foi encontrado na tarde de sábado em um canavial entre Assis (180 quilômetros de Bauru) e Paraguaçu Paulista. O filhote do sexo feminino, que recebeu o nome de Gábi, está com 80% do corpo queimado e corre risco de morte. O felino foi recolhido pela Associação Protetora de Animais Silvestre de Assis (Apass) e ontem se alimentou pela 1a vez.
 O animal foi localizado por um trabalhador da Usina Nova América, que indicou o local para os integrantes da associação. “Ela está internada tomando soro e recebendo todos os cuidados possíveis. Porém, o estado de saúde dela é delicado. Só 48 horas depois de ser encontrada é que ela conseguiu se alimentar. Tomou 30 ml de leite”, comentou a tesoureira da Apass, Natália de Godoy.
 Os veterinários da associação estão cuidando dela desde sábado. “Eles passaram duas noites debruçados sobre o caso. A onça parda está na lista dos animais em extinção. A pele dela soltou toda, ela está bem descarnada, apesar disso ser natural em casos de queimaduras como este.”
 Na avaliação da tesoureira o processo de perder a pele pode ajudar no tratamento. “É um processo bom. Facilita os cuidados e evita as infecções. A expectativa da associação é que o filhote sobreviva mais 24 horas. “Aparentemente ela está forte. Nós temos esperança que ela vá resistir.”
 A sobrevivência do filhote é esperada com ansiedade por todos os integrantes da Apass, explica o presidente Aguinaldo Marinho de Godoy. “O filhote sofreu ferimentos graves na cabeça e nas patas. Têm dificuldades para respirar, mas acreditamos que ele irá sobreviver. Se isso se confirmar, vamos ter que construir um viveiro para poder ficar com ela aqui. A transferência adequada deverá ser feita somente depois de 7 meses, mais ou menos. Outra alternativa será a de entregar o animal, depois de restabelecida a saúde dele para algum projeto que só trabalhe com felinos de grande porte.”
 Ontem, associados da Apass foram para o campo em busca dos pais do filhote. “A mãe sempre anda com os filhotes em número superior a um, geralmente três. Quando ela foge, carrega um deles na boca e deixa para trás aqueles que não consegue transportar. Estamos, a procura da mãe, do pai e de outros filhotes que podem estar no mesmo canavial e feridos.”
 De acordo com a tesoureira, o gerente da usina informou na manhã de ontem que onde Gábi foi encontrada havia outro filhote, porém morto.
 
 
 
Fonte: Rita de Cássia Cornélio/Jornal da Cidade